segunda-feira, 29 de junho de 2009

Crise Existencial

Mãe, me leva num médico? Porque não enxergo direito. Por acaso o mundo sempre foi assim meio cinza? As cores vão misturando-se diante de meus olhos e eu nada posso fazer: cada vez mais, o azul e o amarelo são iguais ao roxo. Não há diferença nesse frio que está aí fora. As estrelas nos olham indiferentes e um vazio preenche meu peito. Talvez seja só essa coisa do dia chuvoso mesmo. Por acaso tem chovido bastante ultimamente?

Quanto mais eu olho em volta, percebo que não está tudo no lugar. O mundo ficou cinza E de cabeça para baixo sem eu perceber. Desligar-se do mundo real é meio perigoso, desaprendi a própria realidade em que vivo. Estava sobrecarregada de outras coisas e minha rotina caiu no esquecimento. Até ontem. Sinto-me tão impotente em relação aos problemas que me cercam, como se eu tentasse tampar as rachaduras de uma parede com suco de caju. Tenho vontade de sumir e ir embora - mas você mal chegou! -. Nem sei de onde veio essa melancolia toda, mas estou com dificuldade de chamar esta casa de lar. Nesses momentos, a única coisa de que eu tenho certeza é Deus, que está lá em cima me testando. Rezo, praticamente em voz alta, para ele me mostrar uma saída. Mas sempre tenho as mãos tampando os ouvidos para não ouvir os gritos de desespero. Não sei em quem acreditar nem com quem contar... Ah, se não fosse por Ele.

Acho que é por isso que eu quero voltar para aquele lugar que eu chamei de lar, para as pessoas que eu chamei de família. De que adianta festar, beber, beijar, curtir, se sempre que eu volto meu mundo desaba? Não que seja culpa dos meus pais, eu sei que eles tentam fazer o melhor por mim. Mas ao mesmo tempo que eles acertam tanto, eles erram quase irremediavelmente. Eles me ferem sem pensar e a frágil alma humana, como que feita da mais delicada seda, fica cheia de furos. Nunca fui muito prendada e meus remendos não duram tanto quanto gostaria. As cicatrizes marcam fundo o tecido: permanentes, ácidas. Será que tecido se regenera, que nem na biologia? Acho difícil. Quem sabe um dia eu só pegue os remendos e varra para o quintal... Quem sabe eles encontrem liberdade no céu infinito. Tomara que encontrem conforto com os astros. É tudo o que eu mais quero. É por isso que eu rezo. Que se dane o resto.

domingo, 28 de junho de 2009

Esta bosta deste Blogspot. Porcaria. Um dia eu soube HTML suficiente para me fazer feliz, mas agora tudo é um parto. Sinto-me como uma velha ranzinza daquelas que têm aversão a tecnologia e não sabem usar computador. Parei no tempo e gosto de como as coisas costumavam ser, seria isso crime?

Acabei de arrumar o template inteiro, com essas tags moderninhas aí. Não há liberdade neste mundo blogueiro, não consigo nem deixar meus links tudo numa linha. Não sei onde escrever as coisas ali direto no código, já que eu não posso usar os marcadores que eu quiser... Também não funcionou o tal do gadget estúpido que era para ter feito as minhas listas de livros e filmes.

Quer saber? Vou é dormir, que hoje não teve novela e já passou da minha hora. Não tenho mais idade para madrugar por aqui.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Filha Pródiga

Lendo meus post antigos, tenho vontade de chorar. Não, espera, só de ir ao laboratório de redação do Energia me deu vontade de chorar. Tá certo que não consegui me concentrar nem um pouquinho. Tá certo que eu fiz a redação aos trancos. E também tá certo que fazia dez meses que eu não escrevia nada em bom Português.
Hoje teve aula de redação. Meu estômago revirou-se, achei que ia vomitar. Adoro escrever. Muito mesmo! Por que então me deixei afastar tanto? Que raiva de mim mesma! Morro de inveja de gente que tem facilidade.. E pensar que eu já fui um deles. (Não dos gênios, mas daqueles que se viram, sabe?) Nunca considerei seriamente a opção de viver de escrita. Até concordei hoje com a Aline. Sem números, não sei o que eu faria. Não o que seria de mim. Meu negócio é matemática... Não é? Que vontade de chorar sim. Quanto mais penso, mais raiva tenho do mundo. Isso pois matemática nem é minha melhor matéria no momento... Ai que raiva que raiva que raiva. Foi pensando nisso que comecei a escrevinhar na aula de Química, só com esperança de que as idéias voltem do nada. Queria que elas me olhassem, acenassem e dissessem: Mal aí, é que fomos fazer uma pausa bem rápida, mas estamos de volta! Não precisa mais se preocupar. Que bosta meu! Hauhaiuah
Pena que o processo não é assim fácil. Por isso que decidi que devo voltar a blogar, custe o que custar. Pra ver se melhoro na escrita. Pra ver se (re)aprendo a expressar-me melhor...

Não Sei Mais Escrever...

Parece que quanto mais tento escrever, mais as palavras me fogem. Sinto uma dor física, de quem espreme o cérebro com as mãos. Esse sentimento não é novo, mas a frustração pela qual tenho passado arranca-me o coração. Não sei o que fazer. Pior: não sei o que escrever. Minha alma foi passear, tomara que volte para me dar uma mão e que me ajude a pensar, a colorir a grande página branca que é a minha mente neste momento. Enquanto ela não volta, vivo em imensa tortura.

De repente, sinto-me fundir nas massas vazias que parecem não pensar. Seguem seus donos como cachorros, na ignorância de estar sendo levado a um lugar melhor. Na verdade, só estão sendo domesticados. São também um batalhão de soldados sem vontade própria sendo controlados. "A droga da Obediência", senhor Pedro Bandeira, existe sim! Mesmo que sete anos atrás, achasse que fosse apenas ficção infanto-juvenil, puro entretenimento.

Sentada na sala de aula, tento reunir concentração. O ambiente é propício: o professor de química tenta chamar nossa atenção, que parece que faz de propósito e viaja no infinito das paredes brancas da sala ou dos mosquitos que sobrevoam nossos cadernos. Mesmo assim, as idéias não vêm. Peço inspiração a Mário Quintana, a gente como Sara, a menina do Quase (que o Waltinho mencionou hoje na aula) , ou até ao meu caderno de rascunho. Os primeiros só me invejam e o último... Só tem rabiscos nas bordas das folhas. Quem sabe um dia viro artista.


Nem sei se dá pra sentir o que eu sinto no momento. Só sei que preciso de inspiração. Na verdade, a última coisa que vai me inspirar é uma Dissertação estúpida (ou suas derivadas como Carta Dissertativa, Crônica Dissertativa, blá blá blá, essa teoria aí). Não sei o que faço, por isso voltei. Sou a filha pródiga da vontade de escrever.
 

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