segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Brasil, meu Brasil brasileiro

O verão chega logo, em um misto de ansiedade e desespero. Queria ter mais um tempinho para perder tooooodo o peso que ganhei durante o tempo de intercâmbio. Por outro lado, mal posso esperar para tomar banho de sol, me jogar na piscina ou pular as ondas do mar. Sinto falta de colocar um shorte curto e passear pela beira-mar ou pelo centrinho das praias de Floripa. A areia impregnada no pé e o sal nos cabelos, ou o cheiro de sombra, em casa, de banho tomado. O frescor de colocar roupas limpas. Caminhar pela beira da praia sentindo o pé afundar na areia branca, observar o que nossa ilha tem de melhor em matéria de... caras.
Saudade imensa da minha infância também, quando brincávamos sentados na areia ou mergulhando no mar revolto. Certas tradições não mudam.
Nunca é tarde para uma partida de canastra, dorminhoco, mexe-mexe. Ah, o verão.

Por isso voltei a fazer musculação. E agora a dieta é para valer, já que senti que o tempo de espera não é para sempre: já começou a esquentar e a formatura está aí, à nossa porta (e com ela, o vestibular, mas isso é outro assunto).
Só rezo para que não me falte força de vontade.. Ora, o que estou dizendo? 17 anos na cara, se eu não tiver força de vontade, quem mais terá?



O tema da redação desta semana é ser brasileiro...
Eu inevitavelmente senti falta do meu país enquanto estive fora. Senti falta de manicure, pedicure, alguém que me depilasse com cera por um preço decente. Senti falta da nossa música e de nossas praias, uma vez que eu estava em uma zona rural. Senti bastante falta da cidade em si. Arroz e feijão, lá fora, não é a mesma coisa. Na verdade, tudo tem gosto meio industrializado e engorda a gente.
Agora que já faz um tempo que voltei, consigo ver claramente que o orgulho que eu sentia do meu país não passava de necessidade de me fazer diferente e de tentar fazer os estrangeiros pensarem que sim, o nosso país é tão bom quanto o deles.
Mas não é.
O brasileiro é um povo omisso, que não pensa a longo prazo. O brasileiro se deixa levar pela ladroagem que acontece no senado. Reclama, reclama, mas faz igual. O Brasil merece o governo que tem, ele é um reflexo do que eu vejo no nosso povo. Não sei quando virei pessimista. Porém, se teve algo que me chocou foi ler a Veja da semana passada. Em meio a acusações e narrativas das últimas peripécias dos nossos estimados Congressistas, tinha uma frase curta mais ou menos assim 70% dos brasileiros afirmam que se tivessem a oportunidade de desviar dinheiro, o fariam. Até então eu ainda tinha esperanças de que, com a limpeza desses nomes antigos que ocupam as cadeiras importantes de Brasília, o país também seria renovado. Obviamente estava enganada.

Orgulho de quê mesmo?

domingo, 23 de agosto de 2009

E... NÃO DEU LIGA

Advertência: TPM, cara inchada, sorvete de chocolate e gossip girl. Isso não dá muito certo.

Realmente, lendo o texto de novo percebo o que o Waltinho quis dizer. Ele não toca, não é verossímil. O objetivo não era esse mesmo, mas bem que eu queria. Tive um fim de semana meio miserável. Tive consulta sexta logo após o almoço (na realidade, foi na hora do almoço...) e dormi até sábado de manhã. Para falar a verdade, eu nem dei notícia aos meus amigos, nenhum deles. Acho que no fundo eu sou a culpada por me sentir sozinha, parece que é opção. Mas eu estava sim meio grogue para fazer coisas úteis. Assisti Gossip Girl durante boa parte do dia.
Hoje fui a um encontro de família. Estava tudo agradável, mas de algum jeito, não ter comido nada o dia inteiro juntou-se à tpm e ao fato de não ter nenhum Bob's aberto onde eu pudesse conseguir um milk-shake para minha cara inchada e minha gengiva sofrida levou-me ao limite. Cheguei em casa aos prantos. Se eu não tivesse feito tanto drama, teria sido cômico. Eu nem queria sorvete tanto assim. A gente sempre tem esses dias né?
Então me revoltei e resolvi que eu ia relaxar o resto do dia. Ou noite, porque quando chegamos em casa já estava escurecendo. Continuei assistindo à série, essas coisas viciam. Nem sinto vontade de pensar em mais nada, amanhã começa uma nova semana e, assim que eu puder comer normalmente, uma nova vida. Vida de gente sociável. Vida de adolescente (quase) normal. Quase porque eu sempre terei este lado esquisitinho que não quer falar com ninguém no fim de semana ou que insiste em viver em um mundo que não é seu. Desde que eu viva, paralelamente, em um mundo onde as coisas são reais.. está tudo bem. Né?
Vou ver mais um episódio antes de ir para a cama.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

VIDA INVISÍVEL

Era a terceira vez que sacudia meu nariz para livrar-me do isopor branco que o céu cuspia em minha cabeça naquele dia singularmente frio. Caminhava taciturno pela calçada larga, encolhido. Os passantes também escondiam-se como coelhos em suas tocas de lã ou casimira, compradas em promoção no ano anterior.

Alguns metros à minha frente, um burburinho atraiu meus olhos. Meia dúzia de pessoas estavam reunidas em torno de um homem de cabelos prateados. Ao me aproximar do local, informei que era da polícia e indaguei o que ocorrera. "Só vimos um moleque esbarrar nele, correndo". Claro, o velho era só um obstáculo, então deixou-o no chão como um vira-latas esquecido na pista amarga de concreto.

O idoso tinha um nome: Adenor. Já de cócoras, perguntei se estava tudo bem. Uma mulher rechonchuda, de voz esganiçada, interrompeu-me dizendo que o homem não queria paramédicos envolvidos. Ele dirigiu-se a mim: "Sabe, a gente vive como pode. Contudo, ninguém neste lugar reconhece que trabalhei, e muito. Chegou minha hora de descansar". Verdade, a sociedade é hipócrita assim mesmo. "Entretanto, veja o retorno que tenho. Não quero levantar, para mim chega".

Refleti por uns instantes. Ele estava certo: não havia solidariedade, eu bem o sabia. O homem tinha claramente fraturado seus frágeis ossos e sua alma. Quisera eu poder colar os pedacinhos, levá-lo para casa e explicar-lhe que nem todos eram assim, que existiam pessoas diferentes. "Doce ilusão", disse o grilo que mora atrás da minha orelha.

- Fé em Deus era o que me mantinha de pé. O tempo acabou, deixe-O me levar embora - disse o homem.

Os curiosos se dispersavam. Eu fiquei ali, sem querer contrariá-lo, esperando a morte chegar. Meu pai devia ter aquela idade. Iria abraçá-lo assim que eu chegasse em casa, anotei mentalmente. Já era quase noite quando os olhos do homem perderam seu brilho meio opaco. Fecharam-se eternamente para aquele mundo ingrato.

Tirei o celular do bolso... Dei um suspiro inconsolado. Fora uma fatalidade dessas invisíveis aos olhos do cidadão comum, dessas que acontecem todos os dias.


Nada a declarar, estou com muito sono para isso.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

IDADE

Às vezes encaro certa relutância em aceitar as coisas que já foram, algumas lembranças até me impedem de seguir em frente.

Hoje a aula de redação (por que eu menciono tanto essas aulas por aqui hein?) foi, no mínimo, difícil. A princípio, o ritmo foi normal: exposição do conteúdo, piadinhas, exemplos. O tema desta semana é o idoso. Engraçado, tanto para dizer... O Walter mostrou dois vídeos, até queria colocar o primeiro aqui, pois achei uma gracinha. Era daqueles que a gente assiste e deixa a sala de coração leve, envolvida por uma ternura imensa, uma vontade de que isso aconteça com a gente também.
Depois, como não podia deixar de ser, o lado negativo. Desrespeito, violência. Até me deu uma ideia (´), mas acho que não consigo transferi-la para o papel. O vídeo era simplesmente uma reportagem - e não me atrevo a procurá-la no youtube sobre violência doméstica contra os idosos. Pode ser drama meu, mas eu não consegui assistir ao vídeo sem pensar na minha única avó viva, que acaba de fazer 92 anos, quase a idade do senhor da TV. Ou então no meu avô, já falecido, que tinha a mesma doença (Alzheimer).

A ausência de humanidade, de... sentimentos, de alma de algumas pessoas me choca. Ora, todos erramos o tempo todo, certo? Somos também perdoados o tempo todo. Mas isso é exagero, inconcebível.

Enquanto assistíamos àquelas barbaridades, lágrimas incessantes rolavam de minha face. No escuro, nem percebi que estava em meio a meus colegas. Eu tremia de raiva, de dor. Um observador qualquer provavelmente não podia perceber muito bem o caos interior que meu corpo encerrava. Achei difícil me conter, sorte que a luz permaneceu apagada.
As histórias que vieram depois, mesmo não sendo extremamente tristes, mexeram ainda mais comigo. Só por ter me identificado, de alguma forma, com a história do professor. E me deu mais vontade ainda de chorar. De sentar e chorar.

Como a aula já terminasse, mantive a compostura o melhor que pude. Então tive que correr para o desabafo, mas não sei o que escrever! Acho que nada vai expressar fielmente o rancor que eu sinto. Não sei nem qual é a palavra.. Queria muito fazer jus ao que eu penso. Mas talvez o melhor seja esquecer e escrever um texto mais feliz mesmo. Só dessa vez.

sábado, 15 de agosto de 2009

ATCHIM!



Um vídeo que o Grega mostrou pra gente em aula. Genial.

Desde que acordei, não tive sossego das minhas vias respiratórias *Espirro* Desculpe. Pois é, sabia que terua que tirar o dia para estudar, mas dei uma enrolada mesmo assim. Passei uma curta parte da manhã instalando um roteador de internet a cabo, ou algo com um nome parecido. Agora tenho internet no quarto, então posso sentar aqui, ver televisão, digitar isto e assoar o nariz, tudo ao mesmo tempo. Sem tirar minhas pantufas do Pluto.
Minha mãe acha que estou febril. Não vou poder ir ao aniversårio da Mel, que droga. Logo agora que eu resolvi deixar de ser anti-social... *Pega um lenço*
Parece que vai ter que ficar para semana que vem.
Ontem já foi bom né?


Em Criciúma o Energia já fechou. Parece que estão tendo aulas a distância. Me pergunto se isso funcionaria.

Vovó veio almoçar com a gente. Espero que seja só alergia mesmo, nem falei direito com ela. Enquanto isso eu fico aqui vegetando, lendo sobre a Teoria de Arquimedes, a reprodução de angiospermas ou as revoluções liberais do século XIX. Assisti TV demais também. Li um pouco. Essas coisas de gente doente que não sabe o que fazer com seu tempo livre. Mas não queria fazer nada disso, queria sair. Ou ir ao cinema. Tudo que é proibido. E lá vou eu de novo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

SESSÃO DE LEITURA



Sentada à mesa da sala compacta, lápis à mão, tentava calcular o orçamento. Mais uma vez, as contas não batiam. Notou que era chegada a hora de visitar seu pai. Levantou-se preguiçosamente, calçou os sapatos e dirigiu-se ao quarto. Empurrou a porta levemente, já segurando o livro da semana.

Mergulhou no breu do aposento, onde encontrou o homem jazendo na cama. O ar era denso. A televisão, como se tivesse parado no tempo, era a única fonte de luz com suas imagens monocromáticas. Ela ignorou o sobressalto do pai ao vê-la, acostumara-se. Engoliu as perguntas que tinha sobre sua saúde, contentou-se apenas em cumprimentá-lo antes de começar a leitura. Os olhos do sujeito lhe eram desconhecidos. Ele a fitava constantemente, atravessando sua carne, perfurando sua alma desgastada. As lágrimas salgadas foram impedidas de fluir, o animal feroz que rugia em seu peito teve de ser domado.

A leitura prosseguiu. A moça pronunciava cada palavra com cuidado, para que fossem compreendidas. Tentava transmitir silenciosamente, a cada sentença, a emoção e a ternura que sentia, proibida de dizê-lo em voz alta.

Ela não era mais o poço de esperança de outrora. A princípio, acreditara piamente na melhora. Entretanto, ao notar a evolução da doença, desabou. Memórias preciosas perdiam-se todos os dias; era aterrador. Fingia-se inabalável.

Quando leu o desfecho da história, curtiu as feições infantis do enfermo. Ele adorava o detetive Hercule Poirot. Subitamente, captou, sem saber de onde, uma nova expressão nos olhos do homem: seu pai. O reconhecimento e a lucidez iluminaram seus olhos, o cômodo encheu-se de alegria. Ele abraçou forte a filha. "Voltei", pensou, "e não a deixarei mais". Ao menos não naquele instante eterno.


Mamãe gostou.

Odeio esses textos amadores [2]
Mas estou fazendo algum progresso, acredito eu. O Waltinho elogiou e me deixou feliz pelo jeito que ele falou. Só que agora já esqueci. Sim, felicidade está nas pequenas coisas, que me alegram por um instante e logo se apagam (mesmo que seja um pequeno indício de que ainda há esperança). É isso. Até que eu gostei, já que esse foi um texto que começou de ideia (´´´´´´!) nenhuma, eu quase não o escrevi (uma vez que era semana de prova). Ainda bem que o fiz, porque, se a minha memória não me falha, o texto da prova de redação ficou bem medíocre. Até pra mim. Tanto que só faz dois dias e está tudo embaçado em minha memória... Resta-me esperar o resultado e pegar o texto corrigido.

{a outra foto transmitia mais o que eu pretendia, mas gostei dessa também}

Eu quero melhorar, mesmo. Só que eu tenho a impressão de que um verdadeiro talento com as nossas amigas palavras é o tipo da coisa inata. Aceitei minha condição de reles admiradora do trabalho alheio... Afinal de contas, foi isso que sempre fui. Isso aqui é distração, brincadeira. Todo mundo merece, certo? Só que eu tenho que me encontrar, todo mundo tem que se destacar em alguma porcaria, droga. Engenharia... acho que és tu mesmo. Na marra.

sábado, 8 de agosto de 2009

Opiniões Públicas

Nem todo mundo precisa concordar com o que eu penso.

Ontem fui ao cinema ver Inimigos Públicos, novo filme do Johnny Depp, Christian Bale e Marion Cotillard. Meu pai havia de desencorajado a assisti-lo. "Não dá para saber quem está atirando em quem", ele disse. Como grande fã do Johnny que sou, eu tinha que ver com meus próprios olhos antes de formar uma opinião. Não achei que eu ia gostar, uma vez que filmes de Gângster nunca foram meus preferidos. Ainda bem que eu fui.

Adoro filmes, adoro cinema. Acho lindo, mágico, envolvente. Através de um filme, o diretor pode passar imagens mil ao espectador. Ele transmite sua mensagem do seu jeito e nós a interpretamos do nosso. Cria-se um laço que não pode ser quebrado, do início ao fim. Só que o cinema virou indústria (admito, muito antes de eu estar aqui) e produzir filmes é, hoje, apenas um negócio. Parece que já existe uma fôrma pronta, um molde de cada gênero de filme. Os caras apenas vão lá e trocam as cores e os atores, mas a forma é a mesma; sempre. Isso faz com que a gente veja sempre a mesma coisa. Eu gosto desse modelo padrão, entretanto eu sempre saio das salonas escuras com a sensação de que eu já vi aquilo em algum lugar (nota: eu nem assisto a tantos filmes assim).
Dessa vez foi diferente.


Inimigos Públicos se passa nos Estados Unidos nos anos que se seguiram à quebra da bolsa de Nova Iorque (1929), mais ou menos em 1933. "Era de ouro para o assalto a bancos". O filme conta a história de criminosos como John Dillinger (Depp) ou Baby Face Nelson. É baseado em um livro onde pode-se conhecer narrativas das fugas e assaltos dessa classe de bandidos americanos. Eles impunham um desafio à Lei norte-americana, já que eram rápidos, sagazes e bem vistos pelo povo (que culpava os bancos pela crise que afetava o país).

Foi um resuminho tosco, ok? Desculpa, mas não achei nenhuma sinopse muito reveladora. O negócio é que o filme me agradou. Eu não li o livro e vi comentários na internet de gente que fala que o diretor, Michael Mann também não. Bom, para quem não leu o livro, o filme é bom. A atuação de Johnny Depp foi espetacular, como de costume. Marion Cotillard também deu um show. Christian Bale, na minha opinião, não impressionou muito.
Não sei se gostei do filme pela personalidade de Dillinger no filme, que apesar de ganhar a vida com aquilo, mostrava ter alguns princípios (e eu, romântica como não posso deixar de ser...). O filme tem sacadas inteligentes, é, por vezes, sutil em sua ironia. Tem romance, ação e humor. Durava mais de duas horas que, para mim, passaram voando, como raramente acontece quando vejo um filme longo desses. Em suma, eu veria de novo hoje mesmo.



Há quem discorde. Pelo que eu pude ver, a crítica não aceitou o filme também, mas não vi nenhum argumento convincente, nada com que eu pudesse concordar. Fala-se que tem umas cenas pouco realistas (como a que ninguém o reconhece no cinema ou a parte que ele sai do carro segurando sua arma, no meio da rua cheia de policiais...): realmente. Mas gente, não é isso que define o cinema? Fazia tempo que não gostava tanto de um filme, então achei que valeu bastante a pena.
Desculpe o desabafo.

mudando de assunto...
Estou lendo Admirável Mundo Novo. Caramba, é um livro assustador. Achei a ideia (o computador concorda comigo que ideia merece um acento...) bastante inteligente. Porém não achei tão envolvente ou bem escrito assim. Ouço o nome de Aldous Huxley como referência em todo lugar, mas não sei bem o porquê. Talvez ele tenha sido o primeiro a escrever esse tipo de livro (deifnitivamente não o único), mas acho que ler um só já está de bom tamanho. Para mim bastou Fahrenheit 451, embora infinitamente mais chato que este. Vou terminar, é um livro agradavelzinho e faltam poucas páginas. Mas eu bem que esperava mais.

Não tenho muito o que falar. Sempre que acordo tarde desse jeito fico em um ócio irremediável até a noite, quando resolvo acordar. Não sei o que será de mim esta tardee, já que tenho que estudar e nem abri minhas apostilas ainda...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Mais um rascunho

A lua cheia contempla-me do lado de fora da minha janela. Olho para o céu e esqueço tudo. Acho que é essa calma inexplicável que eu sinto ao deixar de olhar o mundo à minha volta e concentrar apenas nos astros, é isso que me traz fé. Isso que me faz duvidar da inexistência de algo maior. A onda de paz que envolve meu corpo e, principalmente, meu espírito, provoca um risinho quando penso em gente que acha que acaba aqui. Como poderia?

A recompensa. A mãe tirou as mãos dos olhos de Flávio. O garoto, aliás, jovem adulto, demorou alguns segundos para se acostumar à luz. Tentara imaginar, em vão, o que seus pais prepararam para seu aniversário de dezenove anos. Na verdade, não havia muito o que ele realmente precisava, sendo pertencente a uma classe privilegiada da sociedade brasileira.

A celebração. Piscou algumas vezes e deparou-se com um ousado carro esporte preto. Seus amigos ficariam invejados, foi a primeira coisa que pensou. Exclamando palavras, gírias, de contentamento, sentou no banco do mororista e fingiu estar em uma rodovia. Não esperaria até o dia seguinte para fazer o test drive. Sem uma palavra de agradecimento aos pais, saiu de casa naquela noite. Eufórico, passou na casa de alguns amigos e o grupo dirigiu-se à agitação noturna da cidade onde moravam. Não voltar antes que a luz crua da manhã tocasse suas faces embriagadas era senso comum, verdade indiscutível, pacto silencioso.

A liberdade. Sair toda noite e criar algo diferente virou rotina. As noites quentes de verão abraçavam sua pele fria com relento acariciando-o, chamando-o para a escuridão. Quando se tem dezenove anos, é quase um pecado ficar em casa. Mesmo que a mente racionalize, tente controlar, o corpo é movido por um instinto animal para o mundo exterior.

A onipotência. Certa noite de lua cheia, Flávio fora a uma nova boate da cidade. Avistara a garota que enchia sua mente. Sua forma era perfeita, seu corpo, sensual. Os dois trocavam olhares significativos: ele sabia que o momento chegara. O mundo girava em câmera lenta, apesar de que o menino não fosse do tipo que se apaixona. Seu corpo, porém, sucumbia aos efeitos da bebida. Tomando a dianteira, tentando medir suas palavras, conseguiu o que queria. Em meio a toques e carícias, sussurrou em seu ouvido que a queria. Como se fossem um, foram ao encontro do ar invasivo da noite. Ele sentiu que era o dono do mundo.

A punição. O triunfo que sentia era quase sufocante: o peito inchava e respirar já não era tão fácil. Poderia explodir de alegria e satisfação. Estava cego, eufórico e desatento ao que acontecia por ali. De um lado, segurava o volante, do outro, mãos entrelaçadas. Ela tinha um olhar felino, que o devorava. Estava em êxtase total. Repentinamente, por seu lado esquerdo, não se deu conta do leão faminto que se aproximava. O motorista do caminhão de carga já dormia no volante, tendo dirigido por mais de um dia sem descanso. Com um baque surdo, três vidas esvaíram-se de seus corpos; a montanha desmoronou.


Odeio esses textos amadores. Sério.

sábado, 1 de agosto de 2009

ISTO, ISSO E AQUILO

Acabou que saiu um texto sim. Acabou também que passar o tempo escrevendo asneiras nesta caixinha branca do blogger faz algum efeito. :) Escrevi a redação na segunda e a levei para o laboratório na quarta. Ganhei elogios! Inacreditavelmente, ela disse que a redação era boa. Falou que eu escrevia bem, mas faltava dar uma lapidada e incentivou-me a praticar semanalmente. Admito, era desse tipo de empurrãozinho que eu precisava, foi bom ter falado com aquela professora. Ai ai, odeio ficar me lamentando, mas às vezes eu queria sim, melhorar com isso. Só que não é assim né? Não é a técnica, o problema. É o conteúdo. Não tenho pretensão de melhorar a ponto de tornar essa mania de colocar palavras no papel profissão. Também acho isso meio impossível. Não. Meu interesse é o vestibular mesmo, já que escrever só por escrever eu posso fazer a hora que quiser. Não preciso agradar ninguém mesmo. No entanto, a gente sempre gostaria de agradar né? Só que eu acho que isso é para uns poucos. Vou deixar o entretenimento a cargo desses.

Ontem falei com a Nica e ela me chamou para visitá-la em Criciúma como nos velhos tempos. Dia 28 tem uma festa do terceirão de lá, acho que eu vou sim. Só estou pensando em uma maneira de voltar no dia seguinte de manhã para comparecer à Revisão Programada que tem sábado à tarde. ;_; Droga. Agora que a gente finalmente se decide, tem algo atrapalhando. :/ Vou ver se essas revisões são gravadas, aí dá para assistir na semana seguinte.. Se bem que eu bem sei que até agora não assisti às aulas de atualidades. Terei que pensar no assunto. Tenho saudade daquele povo lá poxa... :X

Estou começando a achar que eu não gosto mais de física e matemática. Juro, estou enrolando para fazer os exercícios. Pra caramba. Ui ui, que crise. Logo agora? Eu não podia me decidir logo, para o meu próprio bem? Se bem que física elétrica é legal, o que dá preguiça mesmo é a matéria do Jerry. Cruzes, não aguento mais. Aguento... Ei, onde que eu acho uma listinha das novas normas da Língua hein? Eu nunca sei. Só sei que ideia me dá uma coceirinha na mão para ir lá e colocar o acento. Ui que droga. Frustrante isso de se importar com tudo e não se importar com nada. Estou passando por umas mudanças de personalidade que eu nem mesmo entendo, só sei que me sinto diferente o tempo todo. Só que às vezes quero ser o que não sou.

Quero me descobrir. Mas já sei o que quero descobrir. Não sei mais o que vejo ao me olhar no espelho, não sei mais o que sou. Será isso crise da idade? Será que passa? Espero que sim, mas sem deixar traumas. Sei que, andando pela rua, nada é a mesma coisa. Só que, ao mesmo tempo, tudo é igual. O conforto de estar sozinha é o mesmo. O medo de ficar sozinha é maior. Existe um conflito crescente entre duas partes de mim que eu quero afogar, esquecer. Entretanto, não sei como fazer. Também não sei como, de mim, arrancar essa insegurança, esse temor que eu não sei mais de onde vem. Sei só que às vezes ela vai e me deixa. Isso me alivia, quero isso para sempre. Disseram-me que Para Sempre não existe. Não custa sonhar.
 

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