sexta-feira, 14 de agosto de 2009

SESSÃO DE LEITURA



Sentada à mesa da sala compacta, lápis à mão, tentava calcular o orçamento. Mais uma vez, as contas não batiam. Notou que era chegada a hora de visitar seu pai. Levantou-se preguiçosamente, calçou os sapatos e dirigiu-se ao quarto. Empurrou a porta levemente, já segurando o livro da semana.

Mergulhou no breu do aposento, onde encontrou o homem jazendo na cama. O ar era denso. A televisão, como se tivesse parado no tempo, era a única fonte de luz com suas imagens monocromáticas. Ela ignorou o sobressalto do pai ao vê-la, acostumara-se. Engoliu as perguntas que tinha sobre sua saúde, contentou-se apenas em cumprimentá-lo antes de começar a leitura. Os olhos do sujeito lhe eram desconhecidos. Ele a fitava constantemente, atravessando sua carne, perfurando sua alma desgastada. As lágrimas salgadas foram impedidas de fluir, o animal feroz que rugia em seu peito teve de ser domado.

A leitura prosseguiu. A moça pronunciava cada palavra com cuidado, para que fossem compreendidas. Tentava transmitir silenciosamente, a cada sentença, a emoção e a ternura que sentia, proibida de dizê-lo em voz alta.

Ela não era mais o poço de esperança de outrora. A princípio, acreditara piamente na melhora. Entretanto, ao notar a evolução da doença, desabou. Memórias preciosas perdiam-se todos os dias; era aterrador. Fingia-se inabalável.

Quando leu o desfecho da história, curtiu as feições infantis do enfermo. Ele adorava o detetive Hercule Poirot. Subitamente, captou, sem saber de onde, uma nova expressão nos olhos do homem: seu pai. O reconhecimento e a lucidez iluminaram seus olhos, o cômodo encheu-se de alegria. Ele abraçou forte a filha. "Voltei", pensou, "e não a deixarei mais". Ao menos não naquele instante eterno.


Mamãe gostou.

Odeio esses textos amadores [2]
Mas estou fazendo algum progresso, acredito eu. O Waltinho elogiou e me deixou feliz pelo jeito que ele falou. Só que agora já esqueci. Sim, felicidade está nas pequenas coisas, que me alegram por um instante e logo se apagam (mesmo que seja um pequeno indício de que ainda há esperança). É isso. Até que eu gostei, já que esse foi um texto que começou de ideia (´´´´´´!) nenhuma, eu quase não o escrevi (uma vez que era semana de prova). Ainda bem que o fiz, porque, se a minha memória não me falha, o texto da prova de redação ficou bem medíocre. Até pra mim. Tanto que só faz dois dias e está tudo embaçado em minha memória... Resta-me esperar o resultado e pegar o texto corrigido.

{a outra foto transmitia mais o que eu pretendia, mas gostei dessa também}

Eu quero melhorar, mesmo. Só que eu tenho a impressão de que um verdadeiro talento com as nossas amigas palavras é o tipo da coisa inata. Aceitei minha condição de reles admiradora do trabalho alheio... Afinal de contas, foi isso que sempre fui. Isso aqui é distração, brincadeira. Todo mundo merece, certo? Só que eu tenho que me encontrar, todo mundo tem que se destacar em alguma porcaria, droga. Engenharia... acho que és tu mesmo. Na marra.

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