segunda-feira, 17 de agosto de 2009

IDADE

Às vezes encaro certa relutância em aceitar as coisas que já foram, algumas lembranças até me impedem de seguir em frente.

Hoje a aula de redação (por que eu menciono tanto essas aulas por aqui hein?) foi, no mínimo, difícil. A princípio, o ritmo foi normal: exposição do conteúdo, piadinhas, exemplos. O tema desta semana é o idoso. Engraçado, tanto para dizer... O Walter mostrou dois vídeos, até queria colocar o primeiro aqui, pois achei uma gracinha. Era daqueles que a gente assiste e deixa a sala de coração leve, envolvida por uma ternura imensa, uma vontade de que isso aconteça com a gente também.
Depois, como não podia deixar de ser, o lado negativo. Desrespeito, violência. Até me deu uma ideia (´), mas acho que não consigo transferi-la para o papel. O vídeo era simplesmente uma reportagem - e não me atrevo a procurá-la no youtube sobre violência doméstica contra os idosos. Pode ser drama meu, mas eu não consegui assistir ao vídeo sem pensar na minha única avó viva, que acaba de fazer 92 anos, quase a idade do senhor da TV. Ou então no meu avô, já falecido, que tinha a mesma doença (Alzheimer).

A ausência de humanidade, de... sentimentos, de alma de algumas pessoas me choca. Ora, todos erramos o tempo todo, certo? Somos também perdoados o tempo todo. Mas isso é exagero, inconcebível.

Enquanto assistíamos àquelas barbaridades, lágrimas incessantes rolavam de minha face. No escuro, nem percebi que estava em meio a meus colegas. Eu tremia de raiva, de dor. Um observador qualquer provavelmente não podia perceber muito bem o caos interior que meu corpo encerrava. Achei difícil me conter, sorte que a luz permaneceu apagada.
As histórias que vieram depois, mesmo não sendo extremamente tristes, mexeram ainda mais comigo. Só por ter me identificado, de alguma forma, com a história do professor. E me deu mais vontade ainda de chorar. De sentar e chorar.

Como a aula já terminasse, mantive a compostura o melhor que pude. Então tive que correr para o desabafo, mas não sei o que escrever! Acho que nada vai expressar fielmente o rancor que eu sinto. Não sei nem qual é a palavra.. Queria muito fazer jus ao que eu penso. Mas talvez o melhor seja esquecer e escrever um texto mais feliz mesmo. Só dessa vez.

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