domingo, 27 de setembro de 2009

AS NOVAS FACES DO BRASIL.

Taí.
Fome que desespera, que devasta; fome que adoece e que mata. O tão famoso retrato do Brasil ainda é atual, mas não é mais sua única realidade. O excesso de gordura - não a falta dela - ganhou espaço nas discussões entre médicos e especialistas. A falta de acesso a uma alimentação adequada, tanto do ponto de vista qualitativo quanto quantitativo, é notável na vida de milhões de brasileiros. É, no mínimo, intrigante o fato de ambos os extremos, a fome e a obesidade, estarem ligados às mesmas causas.

O atual modelo (capitalista) de nossa sociedade tem tudo para ser o maior culpado desse desequilíbrio. Em um mundo onde tempo de sobra é artigo de luxo, os restaurantes fast-food tornaram-se célebres aliados na corrida contra o relógio para realizar todas as tarefas diárias de um indivíduo. Isso, unido à propaganda massiva de cada vez mais alimentos industrializados de baixo valor nutricional, serviu para detonar os hábitos alimentares do brasileiro. No ritmo que estamos hoje, nos aproximamos cada vez mais do dia em que "brasileiro obeso" será um termo redundante.

O outro lado da mesma moeda é que, ao mesmo tempo que uns têm demais, outros não têm nada. Não é novidade que a fome é um problema que persiste por aqui, decorrente da má distribuição de renda. Já é sabido que há alimento suficiente para sustentar a todos, desde que haja um maior planejamento para o destino das safras - e ainda sobraria para exportar.

Talvez a única solução definitiva - tanto para a fome, quanto para a obesidade - seja a implantação de um sistema mais igualitário, pois quando se segue uma filosofia de "ter mais para ser mais", não há vencedores nesse quesito. Enquanto uma mudança tão grandiosa não acontece, cabe ao governo e à população estender uma mão solidária àqueles que necessitam, seja de um prato de comida ou de companhia para correr à beira-mar.

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