terça-feira, 15 de setembro de 2009

Carta Frustrada

Brasília, 27 de Outubro de 2010.

Querido Paulo,
Peço-te que me perdoes pela demora a te mandar notícias. Nos últimos meses, minha vida adquiriu ritmo de maratona Olímpica. A campanha eleitoral tomou a maior parte do meu (já escasso) tempo. A candidatura subira-me à cabeça, mas considero-me curada: não tenho mais pretensão de achar que posso mudar um país que não quer ser mudado, não quero ser um único brasileiro a contestar.

Lutei para acabar com os problemas que assolam a nossa nação. Contudo, meus conterrâneos só sabem festejar com um "churrasquinho" regado a cerveja. Não que eu os culpe, todos aprendemos assim. É muito mais fácil esconder-se dos problemas que enfrentá-los, hábito tão comum entre os brasileiros.

Nesta terra, cidadania é um conceito que está apenas no papel, juntamente com outros projetos mil. Empilhados no fundo de uma gaveta, também encontram-se esboços de leis que mudariam o país ou que beneficiariam as elites mandantes, as oligarquias impunes de nossa terra, em muitos momentos, órfã de povo. Faltou ensinar-nos a pensar e a construir, não apenas a aceitar.

Mesmo assim, falhei. Aliás, tentativa e falha resumem minha vida neste país. Foi esse fato que me levou à decisão de aceitar a generosa proposta de emprego para estudar fora daqui. Brasil, lugar que sempre terei em meu coração como lar, entretanto, lugar indiscutivelmente ingrato. Aqui conheci felicidades imensas e as vi despedaçadas em meio à hipocrisia. Vou para outra terra e, contando com um pouco de sorte, terei meus esforços reconhecidos.

Despeço-me de vocês, criaturas queridas, com pesar. Contudo, meu coração se encheu de esperança diante da perspectiva de mudança. Quem sabe não tentarei tudo de novo? Afinal, perseverança também é algo que está enraizado no jeitinho nosso de ser. Espero que, como patriota declarado, possas entender minha decisão e que vás visitar-me um dia, para contar-me se, de alguma forma, o caráter brasileiro mudou.

Um grande abraço e um beijo,
CKP


Texto diferente. Estou bem atrasada e preciso estudar, por isso andei sumida.
O tema seguinte foi Eugenia e sobre este eu nada escrevi ainda. Porém, vale a pena pensar... De acordo com o Waltinho, todos somos um pouco "eugênicos", na hora de deixar o gordinho de fora do time ou de escolher como namorado um garoto bonito ou algo do tipo. Achei exagero, mas vá lá, ele tem um pouco de razão. Só não precisava generalizar tanto... pensando nisso, talvez a coisa renda uma boa redação, ou talvez só me renda um monte de baboseiras. Por que eu nunca sei por onde começar?

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